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ENCERRAMENTO DO CURSO DE ELETRICIDADE
08/09/2014
Diretor Nivaldo contou aos alunos história sobre três conselhos

O último dia da 1ª turma do Curso de Eletricidade na Escola Industrial foi na última sexta-feira. Para fazer o encerramento do curso, que teve parceria com o Senai através do Pronatec, o diretor da Escola, Nivaldo Teixeira, contou a seguinte história aos alunos do turno da noite:

Os Três Conselhos

Um casal de jovens recém-casados era muito pobre e vivia de favores num sítio do interior.
Um dia o marido fez a seguinte proposta à esposa:

— Querida eu vou sair de casa, vou viajar para bem longe, arrumar um emprego e trabalhar até ter condições para voltar e dar-te uma vida mais digna e confortável. Não sei quanto tempo vou ficar longe, só peço uma coisa, que você me espere e, enquanto estiver fora, seja fiel a mim, pois eu serei fiel a você.

Assim sendo o jovem saiu. Andou muitos dias a pé, até que encontrou um fazendeiro que estava precisando de alguém para ajudá-lo em sua fazenda. O jovem chegou e ofereceu-se para trabalhar, no que foi aceito. Pediu para fazer um pacto com o patrão, o que também foi aceito. O pacto seria o seguinte:

— Me deixe trabalhar pelo tempo que eu quiser e quando eu achar que devo ir, o Senhor me dispensa das minhas obrigações. Eu não quero receber o meu salário. Peço que o Senhor o coloque na poupança, até o dia em que eu for embora. No dia em que eu sair o Senhor me dá o dinheiro e eu sigo o meu caminho.

Tudo combinado. Aquele jovem trabalhou durante vinte anos, sem férias e sem descanso. Depois de vinte anos chegou para o patrão e disse:

— Patrão, eu quero o meu dinheiro, pois estou voltando para a minha casa.

O patrão então lhe respondeu:

— Tudo bem, afinal, fizemos um pacto e vou cumpri-lo, só que antes, quero lhe fazer uma proposta, tudo bem? Eu lhe dou todo o seu dinheiro e você vai embora ou eu lhe dou três conselhos e não lhe dou o dinheiro e você vai embora. Se eu lhe der o dinheiro eu não lhe dou os conselhos e se eu lhe der os conselhos eu não lhe dou o dinheiro. Vá para o seu quarto, pense e depois me de a resposta.

Ele pensou durante dois dias, procurou o patrão e disse-lhe:

— Quero os três conselhos.

O patrão novamente frisou:

— Se lhe der os conselhos, não lhe dou o dinheiro.

E o empregado respondeu:

— Quero os conselhos.

O patrão então lhe falou:

— Nunca tome atalhos em sua vida, caminhos mais curtos e desconhecidos podem custar a sua vida;

— Nunca seja curioso para aquilo que é mal, pois a curiosidade para o mal pode ser mortal;

— Nunca tome decisões em momentos de ódio ou de dor, pois você pode se arrepender e ser tarde demais.

Após dar os conselhos, o patrão disse ao rapaz, que já não era tão jovem assim:

— Aqui você tem três pães, dois para você comer durante a viagem e o terceiro é para comer com sua esposa quando chegar a sua casa.

O homem então seguiu seu caminho de volta, depois de vinte anos longe de casa e da esposa que ele tanto amava. Após o primeiro dia de viagem, encontrou um andarilho que o cumprimentou e lhe perguntou:

— Pra onde você vai?

Ele respondeu:

— Vou para um lugar muito distante que fica a mais de vinte dias de caminhada por esta estrada.

O andarilho disse-lhe então:

— Rapaz, este caminho é muito longo, eu conheço um atalho que "é dez" e você chega em poucos dias.

O rapaz contente, começou a seguir pelo atalho, quando lembrou-se do primeiro conselho, então voltou e seguiu o caminho normal. Dias depois soube que o atalho levava a uma emboscada. Depois de alguns dias de viagem, cansado ao extremo, achou uma pensão à beira da estrada, onde pôde hospedar-se. Pagou a diária e após tomar um banho deitou-se para dormir. De madrugada acordou assustado com um grito estarrecedor. Levantou-se de um salto só e dirigiu-se à porta para ir até o local do grito. Quando estava abrindo a porta, lembrou-se do segundo conselho. Voltou, deitou-se e dormiu. Ao amanhecer, após tomar o café, o dono da hospedagem lhe perguntou se ele não havia ouvido um grito e ele disse que tinha ouvido. O hospedeiro disse:

— E você não ficou curioso?

Ele disse que não.

No que o hospedeiro respondeu:

— Você é o primeiro hóspede a sair vivo daqui, pois meu filho tem crises de loucura; grita durante a noite e quando o hospede sai, mata-o e enterra-o no quintal.

O rapaz prosseguiu na sua longa jornada, ansioso por chegar a sua casa. Depois de muitos dias e noites de caminhada... Já ao entardecer, viu entre as árvores a fumaça de sua casinha, andou e logo viu entre os arbustos a silhueta de sua esposa. Estava anoitecendo, mas ele pôde ver que ela não estava só. Andou mais um pouco e viu que ela tinha entre as pernas um homem a quem estava acariciando os cabelos. Quando viu aquela cena, seu coração se encheu de ódio e amargura e decidiu-se a correr de encontro aos dois e a matá-los sem piedade. Respirou fundo, apressou os passos, quando lembrou-se do terceiro conselho. Então parou, refletiu e decidiu dormir aquela noite ali mesmo e no dia seguinte tomar uma decisão. Ao amanhecer, já com a cabeça fria ele disse:

— Não vou matar minha esposa e nem o seu amante. Vou voltar para o meu patrão e pedir que ele me aceite de volta. Só que antes, quero dizer a minha esposa que eu sempre fui fiel a ela.

Dirigiu-se à porta da casa e bateu. Quando a esposa abre a porta e o reconhece, se atira ao seu pescoço e o abraça afetuosamente. Ele tenta afastá-la, mas não consegue. Então com lágrimas nos olhos, lhe diz:

— Eu fui fiel a você e você me traiu...

Ela espantada lhe responde:

— Como? Eu nunca te trai, esperei durante esses vinte anos.

Ele então lhe perguntou:

— E aquele homem que você estava acariciando ontem ao entardecer?

E ela lhe disse:

— Aquele homem é nosso filho. Quando você foi embora, descobri que estava grávida. Hoje ele está com vinte anos de idade.

Então o marido entrou, conheceu, abraçou seu filho e contou-lhes toda a sua história, enquanto a esposa preparava o café. Sentaram-se para tomá-lo e comer juntos o último pão. Após a oração de agradecimento, com lágrimas de emoção, ele parte o pão e ao abri-lo, encontra todo o seu dinheiro, o pagamento por seus vinte anos de dedicação.

Muitas vezes achamos que o atalho "queima etapas" e nos faz chegar mais rápido, o que nem sempre é verdade...

Muitas vezes somos curiosos, queremos saber de coisas que nem ao menos nos dizem respeito e que nada de bom nos acrescentará...

Outras vezes, agimos por impulso, na hora da raiva, e fatalmente nos arrependemos depois...

Espero que você, assim como eu, não se esqueça desses três conselhos e não se esqueça também, de CONFIAR (mesmo que a vida muitas vezes já tenha te dado motivos para a desconfiança).

Colaboração: Renato Antunes Oliveira

“O que há de tão interessante nessa história para que eu esteja aqui contando para vocês”, questionou o diretor Nivaldo Teixeira aos alunos. 

As respostas foram várias e se refeririam à coragem, à ousadia, a saber escutar, a refletir antes de agir, a ralar para conseguir as coisas, ao fato de que o caminho curto nem sempre é o melhor, ao fato de que dinheiro não é tudo e que o conhecimento vale mais, entre outras respostas. Todas podendo ser tidas como lição de moral da história.

Mas o que o diretor quis levantar com essa história é que no dia a dia, na maioria das vezes, as pessoas não dão atenção ao que escutam. “O que fez o homem atentar para os conselhos é porque ele comprou muito caro, foram 20 anos trabalhando e juntando, então ele tinha que valorizar. Porque se formos parar e pensar, os conselhos são tão simples, todo dia alguém fala ou faz algo que poderíamos aproveitar. E esse curso foi uma oportunidade que precisa ser valorizada por vocês, uma oportunidade de melhorar de vida. Desejo todo o sucesso a todos vocês!”, completou Nivaldo Teixeira.


Caroline Borralho
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